Há alturas na vida que temos de
nos munir de uma coragem tremenda, para tomar decisões que sabemos que nos vão
marcar para o resto da vida. Que nos vão trazer um sofrimento tremendo que vai
custar a passar. Que possivelmente que tudo aquilo que tivemos, sentimos e vivemos durante o nosso tempo, não irei
viver nem sentir com mais ninguém. A dor de me aperceber que, possivelmente,
tudo é finito corrói-me por dentro.
Possivelmente as decisões que
mais nos custam são aquelas que menos desejamos. Apenas cheguei a uma altura em
que sinto que nada faz sentido. Sinto-me cansada, deslocada, enganada. Sinto que deixei de ser aquilo que outrora fui para essa pessoa. Sei que estava a remar contra a maré, sozinha,
onde a força da corrente e a ondulação que atravessava me estavam continuamente a
puxar para baixo e a afogar-me de forma lenta. Onde, no fundo, sei que por muito
que faça ou por muito que deseje, já não posso fazer muito mais. E há alturas em que temos de sair. Não desistir, mas saber que chegou a nossa hora.
Sei que as relações se fazem
a 2. Sei que possivelmente há sempre uma parte que dá mais que a outra. Há
sempre algum tipo de desequilíbrio que tende sempre para o lado mais forte. Sei que normalmente sou a pessoa que dou mais. Porque sou assim. Porque quando Amo dou tudo o que posso e não posso. É a minha natureza.
Por muito que me custe, por muito
que Ame (e Deus como Amo esta pessoa), por vezes temos de largar aquilo ou
aquele que sabemos que não é nosso e que, possivelmente, nunca o foi.
Não quero olhar para isto como
uma desistência. Apenas sei que tenho algum amor-próprio (ainda) que me faz deixar
ir uma pessoa que nunca foi minha e que sei e sinto, no toque, no olhar, nas
palavras, na vivência e sobretudo cá dentro, na minha alma, que, neste momento,
não o é tão pouco.
Não posso continuar a sonhar com
um futuro que sei que não vai acontecer. Não posso continuar a viver para
alguém que no fundo deseja ir, deseja que eu o deixe seguir o seu rumo, a sua
vida (na qual eu decididamente não tenho lugar) e que só não o faz por pena,
por falta de coragem ou por qualquer coisa assim.
E é aqui, nestes momentos, em que sabemos que tentámos tudo mas que a vontade e o desejo não são mútuos, que temos de ter
coragem, sair da nossa zona de conforto (ou de desconforto) e tomar a tal decisão
que nunca quisemos. Temos que ter algum amor próprio e respeito por aquilo que somos. Estava a falhar redondamente nessa parte. E se há pessoa que não pode falhar comigo, sou eu própria, mais ninguém!
Sempre ouvir dizer que o que tem
de ser nosso um dia será. Não acredito muito nisso. Neste caso então ... no way! Aquilo que eu sei é que,
segundo os meus princípios morais e a minha consciência e no fundo, tendo em consideração
a pessoa que sou, a minha essência, não posso insistir nem me posso manter num lugar que sei que
não é o meu! Que nunca foi e que possivelmente nunca será!
E é assim que te deixo ir … a ti
Amor da minha vida!
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