sábado, 18 de outubro de 2014

Sonhos...

... fazem parte integrante da minha vida, em especial daqueles momentos em que tenho os olhos fechados, em que o corpo descansa mas a minha mente tem tendência a continuar a trabalhar ...

Os sonhos podem levar-nos a estados de puro contentamento, onde conseguimos sentir ou vivenciar coisas que, na vida real, desejaríamos viver e/ou sentir. Podem também ser simples recordações, simples repetições de algo que já vivemos e que nos encheu a alma de qualquer coisa boa.

Mas também têm o condão de nos puxar para a realidade da nossa vida. De não deixar passar em claro coisas e situações que, durante o nosso dia, tendemos a esquecer e a fingir que não existem. Os meus sonhos são assim... 

Tudo aquilo que me esforço por não me lembrar, em retirar ficticiamente da minha realidade, em colocar de lado, como se de nada importasse, à noite, quando adormeço já cansada do esforço que fiz, aparece de uma forma abrupta, clara, objetiva e irritantemente real. Mostrando-me que fugir da realidade que temos, que iludir-mo-nos com "vidas"que não são as nossas, não tem qualquer efeito. Haverá sempre um momento em que as nossas defesas caem e os nossos medos e fantasmas vêm ao de cimo e, assim de repente, levamos com essa realidade, aquela que nos magoa e da qual passamos a vida a fugir, literalmente fingindo que não existe...

Acordo pior do que adormeci. Triste, angustiada e de alguma forma derrotada.

São batalhas que travo durante o dia e que à noite me mostram que saí derrotada. Tentando retirar algum sentido prático de tudo isto, de forma crua, percebo que os meus sonhos apenas me protegem de entrar num modo de vida, num status que não existe e que eu quero por tudo acreditar que sim. São nada mais que a minha consciência, a parte mais racional de mim, que me mostra e me avisa, que a minha vida é aquela que o meu sonho não me cansa de mostrar. E que tudo aquilo que eu tendo a tratar como inexistente, a passar por cima, como se de pequenos pormenores se tratassem, na realidade fazem parte dela e estão lá diariamente, todos os dias, até em momentos e datas que desejaríamos ser apenas nossos. Mas não o são ...

E com isto tenho cada vez mais a certeza que, estes sonhos, só me vão dar descanso, no dia em que eu aceitar que nunca terei mais do que tenho hoje. Porque a realidade, a minha realidade diária, é apenas e só esta ... a que tenho hoje!

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