Há já algum tempo que ando a pensar nisto.
Cada vez mais, para mim, faz sentido realizar a troca de prendas no dia de hoje, ou seja, Dia de Reis. Por várias razões.
Hoje em dia e cada vez mais o Natal tem sido uma época em que o consumismo e a excitação de compra prenda, dá prenda e abre prenda, conseguem assumir uma proporção e importância bem maior, relativamente à essência do dia de Natal. Ou seja, a reunião familiar; a reunião com amigos e com aqueles que para nós representam alguma coisa. Uma data festiva que implicaria, sobretudo, um convívio sereno, sem timing e sobretudo rico e verdadeiro. As prendas e esta dimensão que as mesmas acabam por ter, deitam por água abaixo toda esta essência que representa o Natal. Porque os dias são passados, até à última, a comprar prendas e o Jantar de Consoada um contra-relógio contínuo para a abertura das ditas prendinhas.
Por outro lado, sendo o Dia de Reis aquele que representa a dádiva de prendas ao Menino Jesus pelos 3 Reis Magos, possivelmente, faria muito mais sentido, tal e qual como se faz em Espanha, abrir as prendas apenas neste dia.
Não nos podemos esquecer que a oferta das prendas pelos Reis Magos (cada uma com um significado e representação própria) representa a dádiva de bens das pessoas mais abastadas àquelas que menos têm. Ou seja, a partilha de bens entre os que mais possuem e aqueles que pouco ou nada têm.
Hoje em dia e pelo andar da carruagem, vamos começar todos a receber prendas de desconhecidos. As nossas bolsas vão realmente ficando mais vazias à conta do exagero de comprar, comprar e comprar. Muitas vezes prendas que acabamos por ser obrigados ou levados a comprar. Não que eu não goste de oferecer prendas. Gosto e até muito. Mas sinceramente não desta maneira, com esta obrigatoriedade e com o custo desmedido que acabam por implicar. Como são muitas gasta-se muito dinheiro e acabamos por não comprar nada de especial para também não gastar demasiado. Ou seja é quase como uma Missão Impossível. Acabamos todos a levar com miminhos e a dar miminhos a toda a gente. Tá feito!
Por isso acho que realmente o nosso Natal de hoje vai perdendo o seu brilho, a sua génese e sobretudo a sua real importância.
Por mim, celebrava-se a noite de 24 e dia de 25 de Dezembro com a família e as prendas eram trocadas apenas no dia 6 de Janeiro. Prendas possivelmente mais restritas, cingindo-se a um pequeno grupo de pessoas. As restantes (entenda-se restantes pessoas) têm o resto do ano para serem oferendadas com presentes vários, sem stress e sobretudo sem obrigação. Ou seja, com muito mais empenho e muito maior significado.
Enfim.....vamos lá ver se há coragem para mudar um pouco esta coisa de prendas, Natal e afins!!!!!!
Tenho dito!